Comemorações do aniversário de Florbela Espanca

No âmbito do Plano Nacional das Artes dinamizou-se em colaboração com a Biblioteca Escolar, o Plano Nacional de Cinema e diversos parceiros institucionais – Câmara Municipal, Biblioteca Florbela Espanca, Fundação da Casa de Bragança, Grupo de Amigos de Vila Viçosa e particulares -, um conjunto de atividades na galeria de exposições da Escola Secundária Públia Hortênsia de Castro que visaram dar a conhecer e valorizar diversas experiências culturais e criar melhores redes de relações entre as instituições da comunidade envolvente.

Sabendo que a arte pode abrir novas oportunidades pretendeu-se envolver os alunos dos vários níveis de ensino no conhecimento de uma figura natural de Vila Viçosa, exemplo do património a descobrir e valorizar.

A inauguração da exposição aconteceu no dia 2 de dezembro e contou com a presença de elementos do município, de representantes dos diferentes parceiros já referidos e ainda da Coordenadora Intermunicipal do Plano Nacional das Artes.

No decorrer de uma tertúlia dinamizada pela professora Mª de Fátima Crujo os alunos tiveram a oportunidade de aprender ou relembrar que Florbela Espanca é o nome literário de Florbela da Alma da Conceição e que nasceu no dia 8 de dezembro de 1894 em Vila Viçosa, onde frequentou a escola primária. Em 1903, com sete anos de idade, terá escrito o seu primeiro poema intitulado A Vida e a Morte. Os primeiros textos que escreveu assinou-os como Flor d´Alma da Conceição.

Florbela Espanca foi depois estudar para o Liceu Nacional de Évora, sendo uma das primeiras mulheres a frequentar o curso liceal e matriculou-se posteriormente na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

A poesia de Florbela Espanca revela sentimentos de tristeza, amargura e nos seus sonetos é evidente a procura da felicidade através de temas como o amor, saudade, solidão e morte.

Florbela Espanca não integrou nenhum movimento literário embora o seu estilo denuncie em grande parte os poetas do romantismo. Foi uma mulher à frente do seu tempo e uma grande figura do feminismo no início do século XX, pois a sua poesia exprime o seu carácter sentimental e confessional, de forma corajosa, numa sociedade marcadamente patriarcal.

A Mulher
Ó Mulher! Como és fraca e como és forte!
Como sabes ser doce e desgraçada!
Como sabes fingir quando em teu peito A tua alma se estorce amargurada!

Quantas morrem saudosa duma imagem. Adorada que amaram doidamente!
Quantas e quantas almas endoidecem
Enquanto a boca rir alegremente!

Quanta paixão e amor às vezes têm
Sem nunca o confessarem a ninguém
Doce alma de dor e sofrimento!

Paixão que faria a felicidade.
Dum rei; amor de sonho e de saudade,
Que se esvai e que foge num lamento!

Florbela Espanca veio a falecer no dia 8 de dezembro de 1930 em Matosinhos, nas vésperas da publicação da sua obra maior Charneca em Flor onde constam poemas de uma grande sensualidade e ousadia para a época.

António José Saraiva e Óscar Lopes na sua História da Literatura Portuguesa admitem que Florbela Espanca foi “uma das mais notáveis personalidades líricas isoladas, pela intensidade de um emotivo erotismo feminino, sem precedentes entre nós [portugueses], com tonalidades ora egoístas ora de uma sublimada abnegação que ainda lembra Sóror Mariana, ora de uma expansão de amor intenso e instável (…)”.

António José Saraiva, Óscar Lopes. História da Literatura Portuguesa. 9ª ed. Porto: Porto Editora, 1976. p. 967

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